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Agro Global 3: Diferenciação e Imagem

Dentre os grandes exportadores do agro mundial, o Brasil é o menos conhecido. Diferenciação e imagem precisam ser construídas em cada país-chave.

Por Marcos Sawaya Jank
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MARCOS SAWAYA JANK*

Resposta direta

Marcos Sawaya Jank avalia que, entre os grandes exportadores do agro, o Brasil é o menos conhecido e precisa construir diferenciação e imagem em cada mercado. Para o autor, isso exige presença do setor privado no exterior e estratégia de longo prazo.

Dentre os grandes exportadores do agro mundial, o Brasil é o menos conhecido. Diferenciação e imagem precisam ser construídas em cada país-chave.

No terceiro artigo da série sobre a inserção global do agro brasileiro vamos tratar de um desafio ainda distante: diferenciação e imagem.

Um exportador pouco conhecido

Dentre os grandes exportadores do agro mundial, o Brasil é o menos conhecido. Raras são as pessoas no exterior que já ouviram falar da revolução tropical brasileira que fez com que a produtividade total da agricultura crescesse o dobro das taxas observadas na Europa, América do Norte e Oceania.

No geral, o Brasil é associado com imagens de desmatamentos, uso excessivo de insumos e conflitos sociais. As conquistas brasileiras na área da sustentabilidade não são reconhecidas —o Código Florestal, a vasta cobertura vegetal mantida em propriedades privadas, os instrumentos da agricultura de baixo carbono, a baixa pegada hídrica e a matriz energética limpa e renovável.

Apesar da reorientação da Apex-Brasil para cobrir essa lacuna nos últimos anos e da bem-vinda estratégia de internacionalização, marca institucional e promoção anunciada pelo ministro Blairo Maggi e sua equipe, as características únicas do agro brasileiro ainda são apresentadas de forma esporádica e condensada no exterior.

Fora de eventos setoriais e missões oficiais, raras são as ocasiões em que falamos com força e propriedade no exterior.

O que cada mercado valoriza

Se na Europa o debate sobre sustentabilidade é intenso e quase sempre crítico ao Brasil, em outras regiões do planeta pecamos pela ausência de mensagens fortes. Na Ásia, por exemplo, o tema da sustentabilidade é menos relevante do que preocupações ligadas a sanidade, rastreabilidade e qualidade dos alimentos, uma área que nossos concorrentes investiram pesadamente na sua imagem.

São esses os temas que mais demandam a construção de reputação e imagem do Brasil, junto com sustentabilidade. Nosso contato no exterior se dá basicamente com tradings e importadores, e não com os demais elos da cadeia de valor: canais de distribuição, serviços de alimentação, varejo e consumidores, que no geral não conhecem a origem brasileira dos produtos que consomem.

No universo do agro brasileiro, raras são as empresas brasileiras que de fato exportam. Mais raras ainda são as que têm presença, estratégias de comunicação e marcas no exterior.

Presença no exterior e lições dos concorrentes

A primeira condição para diferenciar nossos produtos e marcas é ampliar a presença física do setor privado brasileiro no exterior. Não podemos (nem é bom) depender unicamente da ação do governo. Ações coordenadas do Itamaraty, Mapa, MDIC e Apex são fundamentais, mas as associações e as empresas precisam estar mais presentes, entendendo a cultura e a regulamentação local, o jogo político e as percepções e exigências dos mercados e consumidores, ponto de partida para qualquer esforço de imagem.

Se não conseguimos atingir os consumidores finais, precisamos ao menos nos relacionar de forma consistente e duradoura com aliados da cadeia de valor, formadores de opinião, autoridades e com a mídia especializada em cada mercado.

Algumas lições aprendidas observando a ação dos nossos concorrentes são:

- coleta de percepções sobre os produtos no mercado destino, e não na origem;

- participação ativa em debates locais com uso de dados sólidos, em vez de apresentações unilaterais e frases de efeito;

- reconhecimento das nossas imperfeições, em vez do autoelogio ufanista;

- construção de agendas bilaterais sólidas, substituindo conversas esporádicas;

- convites para conhecer a realidade brasileira in loco.

Diferenciação e imagem são elementos a serem construídos em cada país-chave, com consistência, regularidade e estratégia de longo prazo.

Em resumo

  • O Brasil costuma ser associado a desmatamento, uso excessivo de insumos e conflitos sociais, segundo o autor.
  • Na Ásia, pesam mais sanidade, rastreabilidade e qualidade do que sustentabilidade.
  • Poucas empresas brasileiras do agro têm presença, comunicação e marcas no exterior.
  • O autor recomenda ouvir o mercado de destino, usar dados sólidos e reconhecer imperfeições.

Perguntas frequentes

Qual é o problema de imagem do agro brasileiro, segundo o autor?

As conquistas do setor em produtividade e sustentabilidade não são reconhecidas, e suas características são apresentadas de forma esporádica no exterior.

O que o autor propõe?

Ampliar a presença física do setor privado no exterior e manter relacionamento consistente com aliados da cadeia de valor, formadores de opinião, autoridades e mídia especializada em cada mercado.

Basta a ação do governo?

Não. O autor considera fundamentais as ações coordenadas de governo, mas afirma que associações e empresas precisam participar.

Resposta direta, intertítulos, resumo e perguntas foram preparados pela edição do blog a partir do texto original do autor.

Publicação original

Publicado originalmente no Caderno Mercado do jornal “Folha de São Paulo”, 29/09/2018

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Sobre o autor

Marcos Sawaya Jank

Autor convidado

(*) Marcos Sawaya Jank é especialista em questões globais do agronegócio. Escreve aos sábados, a cada duas semanas.

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